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Fauna canadense: onde encontrar os animais mais icônicos em seu habitat natural

Os cerca de 40 parques nacionais e as florestas preservadas garantem a existência de animais icônicos da fauna canadense como os ursos grizzly. Crédito: Jasp...

Fauna canadense: onde encontrar os animais mais icônicos em seu habitat natural
Fauna canadense: onde encontrar os animais mais icônicos em seu habitat natural (Foto: Reprodução)

Os cerca de 40 parques nacionais e as florestas preservadas garantem a existência de animais icônicos da fauna canadense como os ursos grizzly. Crédito: Jasper Tourism O Canadá abriga algumas das espécies de animais mais emblemáticas do planeta e oferece oportunidades únicas para vê-las em ambientes naturais preservados. Dos ursos polares do Ártico às baleias dos oceanos Atlântico e Pacífico, a fauna canadense é tão diversa quanto suas paisagens. Com quase 10 milhões de quilômetros quadrados de território e cerca de 40 parques nacionais, o país transformou a conservação da natureza em um de seus maiores patrimônios. Para os visitantes, isso significa a possibilidade de vivenciar encontros inesquecíveis com animais que simbolizam a própria identidade canadense. Ursos e baleias em Churchill Poucos lugares no mundo são tão associados à vida selvagem quanto Churchill, no norte da província de Manitoba. Conhecida internacionalmente como a "Capital Mundial dos Ursos Polares", a pequena cidade recebe visitantes de todos os continentes interessados em observar o maior predador terrestre do planeta. Entre outubro e novembro, centenas de ursos polares se concentram na região enquanto aguardam o congelamento da Baía de Hudson para iniciar a temporada de caça sobre o gelo marinho. Podendo ultrapassar 500 kg, esses gigantes são fotografados de perto a partir de veículos especiais adaptados para a tundra, garantindo segurança tanto para os visitantes quanto para os animais. O Parque Nacional Wapusk, localizado nas proximidades, é uma das principais áreas onde os ursos polares se reproduzem. Os ursos polares podem ser vistos facilmente em Churchill entre os meses de outubro e novembro. Crédito: Pixabay O verão reserva outro espetáculo: nos meses de julho e agosto, mais de 50 mil baleias-beluga migram para as águas rasas e aquecidas do Rio Churchill para se alimentar e dar à luz. Conhecidas como os "canários do mar" por sua vocalização melodiosa, as belugas podem ser observadas de barco, caiaque ou até de prancha aquática. Além dos ursos e das belugas, Churchill abriga raposas-do-ártico, lobos-árticos, corujas-das-neves e uma vasta variedade de aves. A aurora boreal completa o cenário, visível em grande parte do ano. As baleias-beluga garantem um espetáculo à parte nas águas do Rio Churchill durante o verão canadense. Crédito: Pixabay Gigantes das Montanhas Rochosas Nas Montanhas Rochosas Canadenses, os parques nacionais de Banff e Jasper, na província de Alberta, oferecem algumas experiências de observação de fauna da América do Norte. O alce (moose), maior membro da família dos cervídeos, pode ultrapassar 700 kg e 1,8 metro de altura. Os machos são inconfundíveis pelos enormes chifres, que podem atingir 1,5 metro de envergadura. Encontrado em florestas e áreas úmidas, o alce é avistado com frequência nas margens de lagos e riachos dos dois parques. Símbolo das regiões montanhosas do oeste canadense, o urso-pardo (grizzly) pode pesar entre 180 e 680 kg e habita florestas, montanhas e regiões costeiras. Ao percorrer estradas como a Icefields Parkway, considerada uma das mais belas do mundo, é possível encontrar esses animais em seus movimentos naturais pela paisagem. A região também abriga ursos-negros, wapitis (cervo canadense), carneiros-selvagens, cabras-montesas, lobos, águias e falcões. A melhor época para encontrar animais da fauna em geral é na primavera e verão. Os alces são alguns dos habitantes mais famosos das Montanhas Rochosas e podem ser avistados nas margens de rios e lagos. Crédito: Jasper Tourism Observação de cetáceos em Vancouver Na costa da Colúmbia Britânica, Vancouver Island tornou-se referência mundial em turismo de observação de cetáceos. As águas que cercam a ilha abrigam uma das populações mais conhecidas de orcas do planeta, além de baleias-jubarte, baleias-cinzentas e diversas espécies de golfinhos. A primavera e o outono são as melhores épocas para o avistamento desses animais. Símbolo incontestável da costa oeste canadense, a orca é uma das espécies mais procuradas pelos visitantes. Os passeios de observação partem de cidades como Victoria e Tofino e permitem acompanhar de perto os movimentos desses cetáceos em meio a paisagens que combinam montanhas, florestas e o Oceano Pacífico. A região também é um dos melhores lugares da América do Norte para observar águias-carecas, ave de envergadura de até 2,4 metros que habita regiões costeiras e grandes cursos d'água. Leões-marinhos completam a lista dos moradores mais carismáticos da área. Vancouver Island é referência mundial em turismo de observação de cetáceos como as baleias-jubarte. Crédito: Pixabay Encontro de rios em Quebec Na província de Quebec, o pequeno vilarejo de Tadoussac ocupa um lugar privilegiado para os amantes da natureza. O encontro entre o Rio Saguenay e o Rio São Lourenço cria correntes marinhas que geram um ambiente rico em nutrientes, atraindo diversas espécies de baleias todos os anos. Dependendo da época da visita, é possível observar baleias-beluga, baleias-fin, baleias-minke e até mesmo a gigantesca baleia-azul, o maior animal do planeta. A proximidade da costa permite que muitos avistamentos aconteçam sem a necessidade de embarcações, tornando a experiência mais acessível e intimista. Focas também habitam a região. A melhor época para avistar estes animais é de junho a outubro. Safári em meio à fauna canadense Localizado na região de Outaouais, na província de Quebec, o Parc Omega é uma das atrações de vida selvagem mais conhecidas do Canadá. Situado próximo à cidade de Montebello, entre Montreal e Ottawa, o parque oferece uma experiência semelhante a um safári, permitindo que os visitantes percorram de carro uma rota de aproximadamente 12 quilômetros em meio a habitats naturais onde vivem dezenas de espécies da fauna canadense. Criado em 1991, o parque ocupa mais de 2.200 acres de áreas preservadas compostas por florestas, lagos, colinas rochosas, vales e campos abertos. O objetivo é reproduzir ambientes próximos aos encontrados na natureza, permitindo que os animais vivam em grandes espaços. O Parc Omega reúne cerca de 20 espécies típicas da América do Norte. Entre os animais mais procurados pelos turistas estão: alce, bisão-americano, wapiti, caribu, urso-negro, lobo-cinzento, lobo-ártico, raposa-vermelha, boi-almiscarado, lince, castor, coiote e veados-de-cauda-branca. Uma das experiências mais populares é a área dos cervídeos, onde veados e wapitis se aproximam dos veículos em busca de cenouras oferecidas pelos visitantes, seguindo as orientações do parque. Além do percurso de carro, o parque ganhou notoriedade por suas acomodações temáticas. Algumas cabanas e chalés possuem vista para áreas habitadas por lobos, permitindo observar os animais durante o dia e até mesmo ouvir seus uivos à noite. O parque funciona durante todo o ano, mas cada estação oferece experiências diferentes. A primavera e o verão apresentam maior atividade dos animais e paisagens mais verdes. No outono, as florestas de Quebec ganham tons avermelhados e dourados. Já o inverno proporciona a oportunidade de observar espécies adaptadas ao frio intenso, como os lobos-árticos e os bois-almiscarados. Uma das experiências mais emocionantes é alimentar veados e wapitis com cenouras de dentro do carro. Crédito: Parc Omega Os bisões do Prince Albert National Park Na província de Saskatchewan, o Prince Albert National Park oferece a oportunidade de observar uma das espécies mais emblemáticas da história da América do Norte, o bisão. Quase exterminados no século XIX pela caça predatória, os bisões voltaram a prosperar graças a intensos programas de conservação. O parque abriga um dos poucos rebanhos de bisões de planície que vivem em liberdade no país. Além deles, lobos, alces e ursos-negros completam a fauna local. Para admirar estes animais de perto, as melhores épocas são no verão e início do outono. O Prince Albert National Park parque abriga rebanhos de bisões, quase extintos e hoje protegidos graças a programas de preservação. Crédito: Pixabay Natureza selvagem na costa atlântica Patrimônio Mundial da UNESCO localizado em Newfoundland e Labrador, o Parque Nacional Gros Morne reúne uma fauna abundante. A região é conhecida por suas populações de alces e caribus, únicos cervídeos em que ambos os sexos desenvolvem chifres, além de receber diversas espécies de aves marinhas, incluindo os carismáticos puffins (papagaios-do-mar). Durante o verão, baleias também podem ser observadas ao longo da costa atlântica. O verão é a melhor época para avistamento dos puffins e baleias. Já os alces e caribus podem ser encontrados o ano todo. Os puffins, ou papagaios-do-mar, são uma das aves marinhas mais carismáticas e tradicionais do país. Crédito: Pixabay Fauna selvagem do Yukon Wildlife Preserve Localizado a cerca de 25 minutos de Whitehorse, no território do Yukon, o Yukon Wildlife Preserve é uma das principais atrações para quem deseja observar de perto os animais que simbolizam o Norte do Canadá. Com mais de 280 hectares de áreas naturais e trilhas, o local oferece aos visitantes a oportunidade de avistar espécies típicas da região em ambientes amplos e semelhantes aos seus habitats naturais. Aberto durante todo o ano, o parque abriga mais de uma dezena de espécies de mamíferos do Norte canadense. Os visitantes podem percorrer um circuito de aproximadamente cinco quilômetros a pé, de bicicleta, esqui ou participar de passeios guiados em veículos do próprio parque. Entre os principais habitantes estão alguns dos animais mais emblemáticos do Canadá e do Ártico como: alce, bisão-da-floresta, caribu, boi-almiscarado (espécie adaptada às condições árticas), lince-canadense, raposa-do-ártico, cabra das montanhas, carneiro-de-Dall e cervo mula. O entorno do parque também recebe visitas ocasionais de espécies selvagens livres, como ursos-negros, ursos-pardos (grizzlies), coiotes e lobos, embora esses encontros sejam menos frequentes. Uma das vantagens do Yukon Wildlife Preserve é que a observação dos animais pode ser realizada em qualquer estação do ano. No verão, entre junho e agosto, as temperaturas são mais amenas, as trilhas estão totalmente acessíveis e os animais permanecem bastante ativos durante os longos dias iluminados pelo fenômeno do Sol da Meia-Noite. É também a estação mais confortável para caminhadas e fotografia de natureza. Já no outono, entre setembro e outubro, é quando os alces e os cervos entram no período de reprodução, tornando-se mais ativos e fáceis de observar. Os caribus iniciam seus deslocamentos para as áreas de inverno, enquanto os bisões começam a descer das áreas mais elevadas. Durante o inverno, de novembro a março, a neve cobre a paisagem e espécies como boi-almiscarado, caribu, lince e raposa-do-ártico exibem adaptações típicas do clima extremo do Norte canadense. O lince está entre os animais que podem ser observados no inverno no Yukon Wildlife Preserve. Crédito: Pixabay Símbolos do Canadá Entre os muitos habitantes da fauna canadense, alguns conquistaram um status especial na identidade do país. Símbolo oficial do Canadá desde 1975, o castor celebrou 50 anos desse reconhecimento em 2025. O animal foi essencial para o desenvolvimento econômico entre os séculos XVII e XIX quando a pele de castor era extremamente valorizada na Europa para a fabricação de chapéus de feltro. O comércio de peles impulsionou a exploração do território canadense por franceses e britânicos, financiou expedições e levou à criação de postos comerciais em regiões remotas. O castor também é um verdadeiro engenheiro dos ecossistemas: suas represas criam lagoas que servem de habitat para inúmeras outras espécies. Pode ser encontrado em rios, lagos e riachos por todo o país. O Parque Nacional La Mauricie, em Quebec, abriga mais de 155 colônias. O animal aparece em diversos elementos do cotidiano como a moeda canadense de cinco centavos (nickel); brasões e emblemas históricos; logotipos de instituições e organizações e souvenires. O castor é símbolo oficial do Canadá desde 1975 e está presente em elementos do cotidiano como moedas e souvenirs. Crédito: Pixabay Maior membro da família dos cervídeos, o alce pode ultrapassar 700 kg e é um dos animais mais associados à paisagem canadense. Os alces habitam extensas áreas de floresta boreal, lagos e regiões selvagens de províncias como Ontario, Quebec, British Columbia e Newfoundland e Labrador. O alce aparece em moedas comemorativas, brasões, mascotes e representações turísticas. Ao lado do castor, do urso polar e do ganso-do-canadá, tornou-se uma das imagens mais reconhecidas do país. O urso polar representa a conexão do Canadá com o Ártico e tornou-se um dos principais embaixadores globais da conservação ambiental. Maior carnívoro terrestre do planeta, ele habita as regiões árticas do país, que abriga cerca de dois terços da população mundial da espécie. O animal é especialmente associado ao Norte do Canadá, incluindo territórios como Nunavut, Northwest Territories e Yukon. Nessas regiões, o urso polar faz parte da paisagem, da cultura local e das tradições dos povos indígenas. Símbolo da costa oeste, a orca é um dos animais mais emblemáticos do Canadá porque simboliza a forte ligação do país com o Oceano Pacífico, a riqueza de sua vida marinha e a cultura dos povos indígenas da Costa Oeste. As orcas são frequentemente avistadas nas águas da província de British Columbia, especialmente ao redor de Vancouver Island. A região abriga algumas das populações de orcas mais estudadas do mundo. As orcas representam a riqueza da vida marinha no Canadá e podem ser avistadas em grupos durante os passeios de barco. Crédito: Pixabay Animal tradicional do norte, o caribu percorre grandes distâncias em migrações anuais e tem profunda importância cultural para as comunidades indígenas canadenses. O caribu representa o Norte, a vida selvagem das regiões árticas e subárticas e a profunda conexão entre a natureza e os povos indígenas do país. O animal tornou-se um emblema das regiões mais remotas do país, especialmente em Nunavut, Northwest Territories e Yukon. Sua resistência às condições extremas do clima ártico faz dele um símbolo de adaptação e perseverança. Por sua importância para a biodiversidade, no Canadá os caribus são protegidos pelos governos e comunidades indígenas. Crédito: Pixabay Turismo responsável Ver um urso caminhando pela tundra, uma baleia emergindo das águas geladas ou um alce atravessando uma clareira é muito mais do que uma atração turística. É uma oportunidade de compreender a relação que o Canadá construiu com seus ambientes naturais ao longo dos séculos e de descobrir por que tantas espécies ainda prosperam em um dos países com maior área protegida do planeta. A observação da fauna no Canadá é baseada em rígidas regras de proteção ambiental. Guias e operadores especializados orientam os visitantes sobre distâncias mínimas seguras, respeito aos habitats naturais e práticas sustentáveis que garantem a preservação das espécies para as gerações futuras. A preservação das espécies é garantida por meio de regras rígidas que devem ser seguidas por habitantes e turistas. Crédito: Jasper Tourism Entre as principais orientações para os turistas estão: Manter distância dos animais Uma das regras mais importantes é nunca se aproximar da fauna selvagem. Dependendo da espécie e da província, as distâncias mínimas recomendadas ou obrigatórias podem variar. No caso de ursos, alces e caribus, os visitantes devem observá-los de longe e jamais tentar interagir ou alimentá-los. Nunca alimentar os animais Alimentar animais selvagens é proibido em parques e áreas protegidas. Quando se acostumam à presença humana em busca de comida, os animais podem alterar seu comportamento natural, tornar-se dependentes e até representar riscos para visitantes e comunidades locais. Permanecer em veículos ou áreas autorizadas Em algumas regiões conhecidas pelo avistamento de ursos polares, alces ou bisões, os visitantes devem permanecer dentro de veículos, plataformas de observação ou áreas delimitadas. Isso reduz o estresse dos animais e evita acidentes. Respeitar as regras de observação de baleias Na costa do Pacífico e do Atlântico, embarcações turísticas devem manter distância mínima de baleias, golfinhos e orcas. Também existem limites de velocidade e restrições de aproximação para evitar perturbar os animais e suas rotas migratórias. Não utilizar drones O uso de drones é restrito ou proibido em muitos parques nacionais canadenses. Além de invadir áreas protegidas, o equipamento pode assustar aves, mamíferos e outras espécies sensíveis ao ruído. Evitar ruídos excessivos Guias e autoridades recomendam que visitantes mantenham silêncio ou conversem em tom baixo durante observações de fauna. Barulhos repentinos podem alterar comportamentos de alimentação, reprodução ou deslocamento dos animais. Priorizar operadores certificados Passeios de observação de ursos, baleias, aves ou outros animais devem ser realizados com empresas autorizadas, que seguem protocolos de conservação e segurança estabelecidos pelas autoridades canadenses. Uma filosofia de turismo responsável No Canadá, o princípio básico da observação da vida selvagem é simples: o visitante entra no habitat do animal, não o contrário. O objetivo é observar a fauna em seu comportamento natural, sem interferir em seus hábitos ou em seu ambiente.